Proposta aberta para a habitação

Um tecto de cada vez.

Uma ideia cívica, sem dono e sem partido: 1 € por mês de cada pessoa, casas em terrenos cedidos pelas câmaras e renda de 500 €. Cada renda volta ao fundo e ajuda a construir a casa seguinte.

1 € por mês 0 € de terreno 500 € de renda

O problema

As casas sobem mais depressa do que os salários.

≈ 2%

do parque habitacional é habitação pública. Em vários países europeus é entre 15% e 30%.

≈ 30anos

é a idade média a que os jovens saem de casa dos pais.

50%+

de um salário médio pode ir para a renda nas grandes cidades.

Fontes: Eurostat, INE. Ordens de grandeza; os valores exatos variam com o ano e a região.

A ideia

Se cada pessoa der 1 € por mês, o país constrói casas todos os meses.

Pouco de cada um, todos os meses, num fundo que não para de construir. Sem lucro para ninguém e com cada euro à vista. Esta proposta é livre: qualquer pessoa, câmara ou governo pode pegar nela.

Como funciona

Do euro à chave, em cinco passos.

Passo 01 · Terreno20%
01 · Cidadãos

Milhares de pessoas, 1 € cada.

Contribuição mensal por débito direto, MB Way ou cartão. Também se pode atribuir 1% do IRS, sem pagar nada a mais.

02 · Fundo

Um fundo com as contas abertas.

O dinheiro junta-se num fundo auditado. Cada euro recebido e gasto aparece num portal público, obra a obra.

03 · Câmara

O terreno não custa nada.

As câmaras cedem terreno em direito de superfície e dão prioridade ao licenciamento. O fundo só paga a construção.

04 · Obra

Construtoras em rotação.

Cada obra vai a concurso aberto e nenhuma construtora ganha duas seguidas. Assim não há favorecimentos.

05 · Família

Uma família recebe a chave.

As casas são atribuídas por sorteio público, com renda de 500 €. O excedente da renda volta ao passo 02.

O ciclo fecha-se. As rendas financiam a obra seguinte.

Quem já o fez

Não é uma ideia nova. É uma ideia testada.

Áustria

Viena

Cerca de 1% do salário vai para um fundo de habitação. Hoje perto de metade da cidade vive em casas municipais ou cooperativas, com rendas acessíveis.

Portugal · anos 70 a 90

Cooperativas de habitação

Construíram dezenas de milhares de casas, muitas delas em terrenos municipais cedidos em direito de superfície.

EUA e Reino Unido

Community Land Trusts

O terreno fica numa entidade sem fins lucrativos, e a casa mantém-se acessível para sempre.

As contas · custo por casa

Quanto custa um T2 de 85 m².

O mapa de quantidades de uma casa tipo, com o terreno cedido pela câmara.

01Construção · 85 m² × 1.450 €/m²123.250 €
02Projetos, fiscalização e coordenação · 8%9.860 €
03Licenças e taxas, reduzidas pela câmara3.000 €
04Infraestruturas e arranjos exteriores7.000 €
05Contingência · 7% da construção8.630 €
06Terreno, em direito de superfície0 €
ΣSubtotal sem IVA151.740 €
IVACom IVA a 6% sobre a construção≈ 159.000 €
IVACom IVA a 23% sobre a construção≈ 180.000 €
Valor de referência
170 mil €

por casa, já com IVA. É o valor usado em todas as contas deste site, para ficarmos do lado prudente.

As contas · simulador

E se aderirem…

Escolhe quantas pessoas contribuem com 1 € por mês e vê quantas casas o fundo constrói em 10 anos, reinvestindo as rendas.

300 000
3,6 M€angariados por ano
≈ 21casas no 1.º ano
≈ 30casas no 1.º ano com crédito
≈ 230casas em 10 anos
Casas acumuladas · só doações e rendas reinvestidas

Simulação com 170 mil € por casa e 3.290 € de excedente anual por casa, antes dos custos de estrutura. Campanhas de doação recorrente costumam chegar a 1–3% da população.

As contas · fundo rotativo

Cada casa paga a próxima.

Renda · 500 € × 12 meses6.000 €
Manutenção corrente · 0,8% do custo− 1.360 €
Reserva para grandes obras− 500 €
Gestão e administração− 360 €
Seguro multirriscos− 250 €
Vacância e rendas em falta · 4%− 240 €
Excedente reinvestido≈ 3.290 €
Com 100 casas
329 mil €

por ano, só das rendas. Chega para cerca de duas casas novas por ano, todos os anos, sem um euro de doações. E as rendas também podem servir de garantia a um crédito: 120 mil € de doações mais 50 mil € de crédito fazem uma casa, e o mesmo dinheiro rende cerca de 40% mais casas.

De onde vem o dinheiro

Cinco fontes, nenhuma dependência.

Contribuição cidadã

1 €/mês por débito direto, MB Way ou cartão.

Base recorrente

Consignação de IRS

1% do IRS, sem custo para quem o atribui.

Receita sem pedir dinheiro

Mecenato de empresas

Donativos com benefício fiscal (Estatuto dos Benefícios Fiscais).

Grandes valores

Câmaras municipais

Terreno em direito de superfície, isenção de taxas e de IMI.

Terreno a custo zero

Crédito e fundos públicos

Banco Português de Fomento, BEI e programas nacionais de habitação.

Multiplica o capital

Estrutura

Duas entidades, funções separadas.

A separação protege o dinheiro doado. A associação só financia obras aprovadas, e a cooperativa responde pela gestão das casas.

Angaria

Associação Portugal com Tecto

IPSS ou utilidade pública. Recebe doações, IRS e mecenato, faz a campanha e presta contas.

Constrói e gere

Cooperativa de habitação

Detém as casas, contrata as obras, arrenda e cobra as rendas. Os moradores são cooperantes.

Cede o terreno

Câmaras municipais

Protocolo com direito de superfície de 50 a 90 anos, licenciamento prioritário e isenções.

Transparência

A confiança é o único capital.

REGRA 1

Contas em tempo real

Portal público com cada euro recebido e gasto, obra a obra.

REGRA 2

Auditoria externa

Contas certificadas por revisor oficial e auditoria anual publicada.

REGRA 3

Construtoras em rotação

Concurso aberto em cada obra. Ninguém ganha duas obras seguidas.

REGRA 4

Conselho fiscal independente

Com lugares eleitos pelos próprios contribuintes.

REGRA 5

Teto de 8% em estrutura

Pelo menos 92 cêntimos de cada euro vão para casas.

REGRA 6

Incompatibilidades

Dirigentes e familiares não concorrem a casas nem a obras.

Quem recebe as casas

Regras claras, sorteio público.

  • Não ser proprietário de habitação.
  • Viver ou trabalhar no concelho, com prioridade a partir de 2 anos.
  • Rendimento do agregado dentro dos limites do programa [a definir com a câmara].
  • Quotas para jovens até 35 anos e famílias monoparentais [a definir].
  • Candidatura online, sorteio transmitido em direto e contrato de 5 anos renovável.
Taxa de esforço máxima · 35%
1.430 €

de rendimento líquido mensal é o mínimo para pagar 500 € de renda sem sufocar o orçamento familiar.

O primeiro passo

Um prédio, uma câmara, uma prova.

Famílias a viver lá dentro valem mais do que qualquer apresentação. O piloto abre a porta às câmaras e aos bancos seguintes.

16casas, de T1 a T3
2,7 M€de investimento total
70/30doações e mecenato / crédito
24–30meses, do protocolo às chaves

Calendário

Quatro fases até à escala.

Meses 0–3

Fundação

Estatutos e registo, marca, conta bancária, equipa mínima e pedido de estatuto de IPSS ou utilidade pública.

Meses 3–12

Lançamento

Site e pagamentos, campanha nacional, primeiros mecenas e protocolo com a câmara piloto.

Meses 12–30

Piloto

Projeto, licenciamento, concurso, obra, sorteio e entrega das primeiras 16 chaves.

Mês 30 em diante

Escala

Cinco câmaras, crédito bancário e BEI, vários prédios em paralelo.

Riscos

O que pode correr mal, e a resposta.

RiscoProbabilidadeImpactoResposta
Adesão abaixo do esperadoAltaAltoCinco fontes de receita e mecenas âncora para o piloto.
Licenciamento lentoAltaMédioLicenciamento prioritário no protocolo e terreno já infraestruturado.
Derrapagem do custo da obraMédiaAltoContingência de 7% e empreitada a preço fechado.
Mudança política na câmaraMédiaMédioProtocolo aprovado em assembleia municipal e registado.
Perda de confiançaBaixaMuito altoRegras de transparência escritas nos estatutos e auditoria anual.
Rendas em atrasoBaixaBaixoTaxa de esforço até 35% e reserva de 4% para falhas.

Para jornalistas e decisores

Uma ideia sem dono. Usem-na.

Esta proposta não pertence a nenhuma pessoa, empresa ou partido. Pode ser copiada, adaptada e posta em prática por qualquer câmara, cooperativa ou governo. Não pedimos nada em troca.

Contacto: ideia@portugalcomteto.com

A proposta em cinco linhas
  1. Quem quiser contribui com 1 € por mês, ou com 1% do IRS.
  2. As câmaras cedem terreno em direito de superfície.
  3. As casas têm renda de 500 € e são atribuídas por sorteio público.
  4. O excedente das rendas paga a construção de novas casas.
  5. Contas abertas, auditoria externa e construtoras em rotação.